Notícias económicas

Sector privado aposta em energias renováveis na indústria e agricultura

Última actualização: 2022-11-24

Os operadores da área de energias renováveis reuniram-se há dias, em Maputo, para defender maior aposta na utilização de tecnologias fornecidas pelo sector nos projectos agrícolas e industriais.

De um modo geral, estas constituem soluções competitivas, confiáveis e rentáveis numa altura em que cresce a exigência global de utilização de energias amigas do ambiente. Dado o facto de o sector ser incipiente em Moçambique, o evento serviu para sensibilizar e informar os profissionais do sector agrícola e industrial sobre a oferta existente, os benefícios e as poupanças que podem obter a partir destas tecnologias. 

Em representação da Delegação da União Europeia em Moçambique, Verlee Smet destacou durante a sessão de abertura que o país “realizou progressos satisfatórios ao longo do último ano com a adopção do Regulamento de Acesso à Energia nas zonas Fora da Rede e da nova Lei da Electricidade”. 

Falando perante perto de uma centena de empresários do sector de energias renováveis, indústria e agricultura, Smet anunciou que a Iniciativa de Financiamento da Electrificação (ou ElectriFI), financiada pela União Europeia, que investe em empresas em fase inicial e em projectos de acesso à energia, estará activa para Moçambique a partir de Janeiro, com um orçamento de 15 milhões de euros.

Por seu turno, o representante da Embaixada da Alemanha em Moçambique, Thierry Kuhn, referiu que as energias renováveis podem contribuir não só para garantir acesso, mas também a poupança e, por sua vez, incentivam a competitividade dos sectores agrícola e industrial que empregam grande parte da população moçambicana.

Em nome do sector empresarial, o Presidente da Associação Industrial de Moçambique (AIMO), Rogério Samo Gudo, realçou: “o que limita o crescimento da indústria é a competitividade e um factor essencial é o custo - as energias renováveis não só permitem sermos mais competitivos, mas também ter uma produção mais responsável e sustentável”. Entretanto, o empresário reiterou a necessidade de se trabalhar nas soluções de financiamento que garantam períodos de retorno do investimento mais curtos. 

Já o Presidente da Federação Nacional das Associações Agrárias de Moçambique (FENAGRI), Hernani Mussanhane, salientou que falar de energias renováveis é falar da mitigação dos efeitos das alterações climáticas e que a actividade agrícola é a que mais sofre. Neste sentido, referiu: “as energias renováveis podem ser determinantes para viabilização da actividade agrícola graças à sua facilidade de instalação e podem compensar o fornecimento da rede eléctrica” e voltou a frisar: “o custo será um factor decisivo, já que os agricultores trabalham com margens muito pequenas”. 

O evento foi organizado pela Associação Moçambicana de Energias Renováveis (AMER) em parceria com a sua congénere de Portugal e possibilitou que fosse dado o primeiro passo para garantir a colaboração entre agricultores, empresários, empresas prestadoras de serviços e financiadores.

Crescimento económico atinge 4,6% no II Trimestre

Última actualização: 2022-10-20

O PIB real cresceu, em termos anuais, em 4,6% no II trimestre de 2022, impulsionado pela progressiva retoma da actividade económica, em face do alívio das medidas restritivas, num contexto de melhoria dos preços das commodities e da procura externa. Estes factores, aliados à execução de projectos energéticos estruturantes no país e à retoma do apoio directo ao orçamento do Estado, justificam a manutenção das perspectivas de crescimento do PIB no curto prazo, indica um estudo do Banco de Moçambique sobre sobre a Conjutura Económica Perspectivas de Inflação publicado, recentemente na sua página de internet.

Em relação à inflação anual, o estudo refere que prevalecem as perspectivas de aceleração no curto prazo, a reflectir, essencialmente, o ajustamento dos preços de bens administrados e o aumento dos preços de produtos alimentares, num cenário ainda marcado por elevadas incertezas quanto aos efeitos do prolongamento do conflito entre a Rússia e a Ucrânia.

A expansão da actividade económica, que se situou 50pb acima do observado no I trimestre, é explicada pelo contínuo alívio das medidas restritivas, que tem possibilitado a retoma dos sectores de actividade e a melhoria da procura interna, num contexto em que os preços das commodities de exportação se mantiveram favoráveis e se observou uma melhoria da procura externa, evidenciada, sobretudo, pelo desempenho alcançado pela indústria extractiva.

Em termos de componentes da procura agregada, destaca-se: i) Amelhoria da procura externa, impulsionada pelo aumento do preço das commodities e o consequente aumento das exportações e redução do défice da conta corrente no II trimestre de 2022.

Em relação à economia internacional, o estudo revela que para 2022 e 2023, mantêm-se as perspectivas de abrandamento do crescimento económico mundial, com ênfase para as economias avançadas e emergentes, devido (i) ao prolongamento do conflito entre a Rússia e a Ucrânia, (ii) ao refreamento do crescimento da China em face dos recentes lockdowns impostos para controlar a COVID-19 e (iii) às condições monetárias mais restritivas, que visam conter as crescentes presses inflacionárias.

No II trimestre de 2022, a actividade económica manteve a tendência de refreamento na maior parte dos principais parceiros comerciais do país. Nas economias avançadas, destaca-se os Estados Unidos da América (EUA), onde o crescimento do produto interno bruto (PIB) continua a abrandar, devido ao efeito combinado da redução da despesa pública e sucessivos agravamentos da taxa de juro de política monetária.

Nas economias emergentes, realçam-se a China e a África do Sul, que registaram uma significativa desaceleração do crescimento do PIB, explicada, sobretudo, pelos lockdowns e pela crise energética, respectivamente.

Desvalorização do metical e aumento do preço do combustível agravam os custos no sector da saúde

Última actualização: 2022-04-21

A desvalorização do metical face ao dólar e o aumento dos custos de aquisição de combustível têm estado a contribuir para a redução da capacidade de importação de medicamentos e de outros bens essenciais para este sector.

De acordo com um relatório do Observatório Cidadão para Saúde, partilhado semana finda, a média da taxa de câmbio antes e depois das chamadas dívidas não declaradas chegou a duplicar e com períodos de significativa instabilidade, sendo que as dívidas ocultas originaram um choque na taxa de câmbio propiciando o rápido e contínuo crescimento da variação cambial.

Entretanto, a subida do preço do combustível poderá ainda encarecer as despesas normais de funcionamento do Serviço Nacional de Saúde (SNS), assim como poderá aumentar a demanda dos serviços deste sector.

Significa que o sector da saúde será gravemente afectado pela inflação desencadeada pela redução da oferta internacional de combustíveis e pela deficiência histórica que se traduz na falta de uma robusta capacidade de resposta aos problemas básicos das populações, dado que pouco se investiu ao longo dos anos.

Assim, as deficiências encarecem ainda mais a resposta do sector, visto que tem havido uma elevada procura de serviços de saúde, num país em que a maior parte da população vive com menos de um dólar por dia.

Em relação ao orçamento realizado e planificado, tendo em conta o número de crianças que beneficiam do tratamento anti-retroviral (TARV), constata-se que o sector da saúde foi tremendamente abalado pelo impacto das Dívidas Ilegais. O abalo poderá, em parte, repetir-se por conta da actual subida do preço dos combustíveis.

O documento refere que o fraco investimento no sector da saúde, nos últimos 10 anos, inviabiliza o cumprimento da Declaração de Abuja, que prevê a alocação mínima de 15% da despesa total para o sector da saúde. Entre 2010 e 2011, os níveis de alocação da despesa pública para o sector da saúde foram em média de 8%, chegando ao mínimo de alocação na ordem dos 7%.

Estes dados evidenciam a fragilidade na alocação do orçamento aos sectores sociais prioritários, incluindo o sector da saúde (que tem impacto directo na vida das populações), assim como os sectores de Protecção Social, Água e Saneamento, que chegam a receber somente um por cento (1%) do Orçamento do Estado, respectivamente.

Entretanto, a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2015, recomendou que os governos usassem no mínimo por ano 60 dólares com as despesas de saúde por cada habitante. Porém, verifica-se o total incumprimento desta medida, visto que o governo moçambicano gastou, em 2016, cerca de 12 dólares por habitante, valor cinco vezes inferior ao recomendado. No entanto, em 2020, houve um aumento de apenas quatro dólares, o que mostra que há um défice orçamental no sector da saúde, ou seja, está-se ainda muito distante da meta de 60 dólares. Refira-se que, em 2020, a OMS actualizou a despesa anual mínima deste sector, necessária por cada habitante para 87 dólares.

Produção pecuária: Moçambique possui efectivo de 2.219.000 cabeças de gado bovino

Última actualização: 2022-04-21

De acordo com o arrolamento de 2021, os dados resultam de várias intervenções tendentes a tornar o país uma referência no sector, numa altura em que o efectivo pecuário está avaliado em cerca de 70,9 biliões de meticais, equivalentes a cerca de 1 bilião de dólares.

Um documento enviado à nossa redacção indica que o crescimento registado na pecuária foi de 9%, sendo superior à média registada dos últimos 10 anos, de 4,4%. O ano de 2021 fica assim marcado como o segundo ano consecutivo de registo de crescimentos acima da média.

Por outro lado, governo investe anualmente 421 milhões de meticais em vacinas, medicamentos e drogas carracicidas e o país, através do Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural, já atingiu 90% de cobertura de vacina animal.

Neste momento, decorre, à escala nacional, a campanha de vacinação, edição 2022, lançada no distrito de Búzi, província de Sofala. Trata-se de uma acção que visa consciencializar as comunidades, criadores e as estruturas administrativas locais sobre a importância e necessidade de imunizar os animais. A vacinação animal visa reafirmar o compromisso do Governo em assegurar que mais de 80% de gado esteja protegido contra as doenças de impacto na saúde Pública.

Em 2021, registou-se um crescimento na cobertura vacinal médio, ao passar de 62% em 2020 para 86,75%, com destaque para Carbúnculo Hemático e Carbúnculo Sintomático que atingiram uma cobertura de 81% e 85%.

A Febre Aftosa é a doença com maior impacto negativo na economia, porque a sua ocorrência pode gerar interdição das transacções comerciais do país com outros mercados internacionais, tanto de produtos de origem animal como os vegetais, provenientes das zonas afectadas.

Na Campanha 2021 não houve o registo da Febre Aftosa depois de quatro anos de ocorrência sucessiva desta doença. A não ocorrência desta doença deveu-se ao maior rigor na implementação de medidas de prevenção, nomeadamente: cobertura de vacinação em cerca de 98%; registo obrigatório e monitoria de transporte/transportadores de animais e de marchantes (comerciantes de gado); licenciamento e emissão de credenciais provinciais (documento que autoriza o movimento de animais); e testagem prévia de animais para mobilidade interdistrital/provincial. Nos últimos 10 anos, o cumprimento da obrigação de vacinação e banhos tem representado o principal desafio para o crescimento do sub-sector pecuário.

Clima económico com sinais de recuperação no quarto trimestre

Última actualização: 2022-01-06

O indicador do clima económico (ICE) inverteu a tendência negativa que vinha registando desde o quarto trimestre de 2020, ao aumentar de forma ténue, tendo mesmo assim o respectivo saldo continuado abaixo da média da respectiva série temporal. 

De acordo com relatório do Instituto Nacional de Estatística (INE), sobre a matéria, esta conjuntura ligeiramente favorável da economia deveu-se, ao nível agregado, às perspectivas favoráveis da procura de emprego a curto prazo, dando assim sinais de recuperação da conjuntura económica. 

“Se avaliarmos o indicador do clima económico por sector de actividade, constata-se que o aumento se deveu, fundamentalmente, à avaliação ligeiramente abonatória da conjuntura nos sectores dos serviços e da produção industrial que juntos suplantaram o sentimento negativo em relação à economia registado no sector de comércio”, descreve o INE em relatório. 

No quarto trimetre de 2021, a Autoridade Estatística constatou ainda que o indicador da perspectiva da procura registou um incremento ligeiro se comparado com o trimestre anterior, tendo o respectivo saldo atingido o nível mais alto dos últimos três trimestres da série temporal. “O incremento ligeiro da procura futura no trimestre em análise deveu-se à avaliação positiva do indicador nos sectores dos serviços e da produção industrial que suplantaram o sector de comércio que previu em baixa a procura face ao terceiro trimestre”, explica a fonte.

No último trimestre do ano passado, o INE constatou igualmente que o indicador da perspectiva de emprego mostrou sinais de recuperação, facto que acontece após uma ligeira queda no trimestre anterior, tendo mesmo assim o seu saldo continuado abaixo da média da respectiva série temporal. A Autoridade argumenta que a recuperação da perspectiva de emprego deveu-se à alta previsão do emprego futuro em todos os sectores, com maior destaque em termos de amplitude para o sector da produção industrial, que se expandiu no período em análise. 

“O indicador de perspectiva dos preços prolongou a trajectória ascendente pelo segundo trimestre consecutivo, a um ritmo ligeiro, tendo o respectivo saldo continuado abaixo da média da respectiva série temporal. O incremento dos preços futuros no trimestre em análise deveu-se à convicção dos empresários dos sectores do comércio e dos serviços de que os preços iriam aumentar, contrariamente aos empresários do sector da produção industrial que previram em baixa os preços futuros”, observou o INE.

Por fim, a Autoridade Estatística Nacional constatou que, no período em análise, em média, 42% das empresas inquiridas enfrentaram algum obstáculo, situação que representou um incremento de 3% de empresas com constrangimentos face ao trimestre anterior, com destaque para os sectores da produção industrial (48%) e de comércio (37%), facto contrário ao sector dos serviços (41%) que registou uma queda na proporção de empresas afectadas por algum obstáculo no seu desempenho no quarto trimestre.

Taxa de juro de referência entra para 2022 muito elevada

Última actualização: 2022-01-06

A taxa única de referência para as operações de crédito de taxa de juro variável no sistema financeiro moçambicano (ou Prime Rate) entra para 2022 muito elevada (mantém-se há quatro meses), facto que não é bem visto por empresários e famílias com crédito na banca.

Desde Outubro passado, está fixada em 18,60%. Ora, quanto mais elevada é a Prime Rate, maiores são as taxas de juro na banca comercial para as famílias e empresas.

De acordo com um comunicado emitido pelo Banco de Moçambique e Associação Moçambicana de Bancos (AMB), a Prime Rate a vigorar no mês de Janeiro corrente é de 18,60%.

A Prime Rate aplica-se às operações de crédito contratualizadas (novas, renovações e renegociações) entre as instituições de crédito e sociedades financeiras e os seus clientes, acrescida de uma margem (spread) adicionada ou subtraída à taxa, mediante a análise de risco de cada categoria de crédito ou operação em concreto.

Os spreads das 14 instituições bancárias constantes no comunicado em referência indicam que, para empréstimos a particulares, a margem varia de 1% a 6% para o crédito à habitação e de 3% a 14,5% no crédito ao consumo.

Para as empresas, as margens variam de 0 a 5% para prazos de até um ano e de 1% a 6% em empréstimos de longo prazo. No leasing mobiliário, a margem varia de 2.5% a 7.7%, enquanto no leasing imobiliário, o spread varia de 1.5% a 7.7%

Prespectiva-se um crescimento lento no segundo semestre de 2021

Última actualização: 2021-09-29

As medidas restritivas menos severas adoptadas no contexto da COVID-19 no II Trimestre de 2021 e o efeito base , ditaram a aceleração da actividade doméstica no período, num contexto de recuperação da procura externa. Entretanto, para o III trimestre, perspectiva-se um ténue crescimento, a reflectir as medidas restritivas para conter a terceira vaga da COVID-19, que vem sendo implementadas desde o início do trimestre, indica o Relatório da Conjuntura Económica e Prespectivas de Inflacção divulgado pelo Banco de Moçambique em Setembro corrente.

De acordo com a análise do BM, constrangimentos na cadeia de fornecimento de bens e serviços, a nível mundial, reflectiram-se na ligeira aceleração dos preços em Agosto, perspectivando-se, ainda assim, a manutenção de uma inflação de um dígito no curto e médio prazo.

Para 2021 e 2022 consolidam-se as perspectivas quanto à retoma do crescimento económico global. Em face da reabertura das economias associada aos avanços nos programas de vacinação contra a COVID-19, bem como da vigência de pacotes fiscais adicionais com vista a estimular a procura nas economias avançadas, consolidamse as perspectivas de crescimento para 2021 e 2022.

Inflação Anual Desacelera Pelo Segundo Mês Consecutivo

Última actualização: 2020-07-28

Moçambique voltou a registar uma deflação. Depois de Maio, a inflação de Junho foi também negativa (-0,55%), ou seja, os preços baixaram pelo segundo mês consecutivo, segundo o INE.

Numa altura em que o poder de compra baixou, devido ao impacto da pandemia da COVID-19, o custo de vida recuou em Junho.

Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), o país registou no fecho do primeiro semestre, uma deflação mensal de 0,55% face ao mês anterior. As divisões de alimentação e bebidas não alcoólicas, bem como de transportes, foram as de maior impacto, ao contribuírem no total da variação mensal com cerca de 0,43 e 0,13 pontos percentuais (pp) negativos, respectivamente.

Desagregando a variação mensal por produto, destaca-se a queda de preços do tomate (9,6%), gasolina (1,4%), açúcar castanho (7,9%), cebola (5,8%), gasóleo (3,1%), amendoim (3,1%) e da couve (4,6%).

No entanto, e de acordo ainda com o INE, alguns produtos contraíram a tendência da queda de preços, com destaque para os materiais diversos para manutenção e reparação da habitação (3,4%), batata-doce (16,6%), carapau (0,6%), cigarros (1%), o limão (23,4%), miudezas comestíveis de aves (2,5%) e o frango (0,3%), ao contribuírem com cerca de 0,11pp positivos.

CRESCIMENTO SEM DESENVOLVIMENTO?

O Instituto Nacional de Estatísitca estima que Moçambique tem actualmente cerca de 30 milhões de pessoas e as projecções apontam para um crescimento populacional de até 35 milhões nos próximos cinco anos.

Entretanto, este aumento nem sempre tem sido acompanhado pelo crescimento da economia nacional.

A taxa de crescimento da população é de 2,5% e a do PIB é de 2,2%, o que significa que a população cresce mais rápido que a economia, o que coloca o Estado numa ligeira incapacidade de provisão de bens e serviços essenciais aos cidadãos.

Segundo o INE, em 2017 a economia moçambicana registou um crescimento da produção na ordem de 3.7% do PIB tendo caído para 2,3% em 2019 e para 1,7% no primeiro trimestre de 2020, em conformidade com o Banco de Moçambique.

Apesar de o país ter registado uma redução da inflação mensal de 0,55% em Junho de 2020, os cidadãos continuam a debaterem-se com a redução do poder de compra, facto que impacta directamente na cesta básica e sobrevivência das famílias.

Preços de bens e serviços desaceleraram em Julho

Última actualização: 2020-08-12

Pelo terceiro mês consecutivo, o país registou uma redução nos preços de bens e serviços. A deflação em Julho foi de 0.20 por cento, contra 0.55 por cento em junho e 0.6 por cento, negativos em Maio.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) foi calculado com base nos dados recolhidos nas cidades de Nampula, Beira e Maputo, onde certificou que o país registou uma deflação de 0,20 por cento. A inflação acumulada (Janeiro a Julho) situou-se em 0,38 por cento e a homologa (comparativamente ao igual período do ano passado) em 2,80 por cento.

Analisando o custo de vida por cidade, o Instituto Nacional de Estatística (INE) constatou que a cidade da Beira foi a mais barata com 0,42 por cento, seguida de Nampula e Maputo com 0,30 por cento e 0,06 respectivamente.

Segundo o Director Nacional Adjunto de Contas Nacionais e Indicadores Globais, Ernesto da Silva, a divisão de Alimentação e bebidas não alcoólicas foi a de maior impacto, ao contribuir no total da variação mensal com cerca de 0,22 pontos percentuais (pp) negativos.

“Analisando a variação mensal por produto, importa destacar a queda do preço do tomate (5,3%), da cebola (9,0%), do açúcar castanho (5,9%), da alface 12,3%), do óleo alimentar (2,5%), da couve (7,8%0 e do repolho (10,4%). Estes contribuíram no total da variação mensal com cerca de 0,35 pp negativos”, mencionou Ernesto da Silva.

Em contrapartida, os preços de alguns produtos com destaque para o pão de trigo (4,1%), os cigarros (3,0%), o feijão manteiga (1,9%), a mandioca seca (28,5%) o milho em grão (10,6%), o limão (24,6%) e as calças para homens (0,8%) contrariaram a tendência de queda, ao contribuírem com cerca de 0,21 pp positivos.

Em referência a variação acumulada, de Janeiro a Julho do ano em curso, da Silva referiu que as cidades de Nampula e de Maputo foram caracterizadas por aumento de preços, tendo registado uma inflação de cerca de 0,79 e 0,68 respectivamente.

A cidade da Beira apesentou uma tendência contrária ao registar uma deflação de aproximadamente 1,03%.

“No que concerne à inflação homóloga, a Cidade de Nampula liderou a tendência de aumento do nível geral de preços com aproximadamente 3,85%, seguida da Cidade da Beira com 3,52% e por último a Cidade de Maputo com 2,02%”, concluiu.

A Banca em Moçambique está “bem preparada” para impacto da pandemia do COVID 19

Última actualização: 2020-07-06

“A banca em em Moçambique continua bem capitalizado, e os seis principais bancos, que valem 90% dos ativos de crédito e depósitos, têm rácios de solvabilidade claramente acima dos 10% exigidos pelo banco central, o que mostra a robustez do setor, que está relativamente bem preparado para enfrentar as dificuldades de 2020”, disse Tiago Dionísio em entrevista à Lusa no seguimento do relatório sobre a banca moçambicana.

“A atividade económica vai desacelerar este ano, mas o FMI continua a acreditar que Moçambique vai ter um crescimento económico, apesar do Governo rever uma recessão”, lembrou. Depois acrescentou que “a desaceleração da atividade económica vai continuar a ter algum impacto nos resultados do setor bancário”.

Entre os efeitos, Tiago Dionísio elencou as taxas de juro e a qualidade do crédito na banca em Moçambique. “As taxas de juro continuarão comprimidas, não espero um desempenho por aí além a nível das receitas dos bancos”, apontou.

Desaceleração da economia

No relatório sobre a banca em Moçambique no ano passado, Tiago Dionísio destacou a desaceleração da economia. A descida das receitas também é vista como uma das principais responsáveis pelo crescimento mais modesto da atividade financeira no ano passado.

“Os bancos enfrentaram uma economia em desaceleração no ano passado, à semelhança do que tem acontecido nos últimos dois ou três anos, mas mesmo assim conseguiu crescer 2,2%, abaixo dos 3,4% de 2018 e dos 3,8% em 2016 e 2017″, salientou.

A contenção da taxa de juro e a política seguida do regulador “fez descer as taxas de, o que teve impacto nas margens dos bancos. Isto levou a uma cobrança de taxas mais baixas nos créditos e uma compressão das margens”, disse o analista.

Tiago Dionísio salientou que “o setor continua a expandir-se, o número de trabalhadores subiu, os custos subiram, e por isso os resultados de 2019 registaram uma queda”.

Com o crédito malparado a ter um “ligeiro aumento mas pouco significativo”, os bancos conseguiram, ainda assim, emprestar mais. Perante isto, o que está “relacionado com taxas mais baixas, o que torna o crédito mais acessível às empresas e às famílias”, concluiu Tiago Dionísio.

Moçambique registava, até esta quarta-feira, 903 casos de infeção e seis mortos devido à covid-19, segundo dados das autoridades locais.

Comércio entre Moçambique e China caiu 28,15%

Última actualização: 2020-04-21

O volume das trocas comerciais sino-moçambicana atingiu 317 milhões de dólares entre Janeiro e Fevereiro deste ano, antes do “boom” da pandemia COVID-19. Este registo representa um recuo na ordem de 28,15% face ao igual período de 2019.

De acordo com dados estatísticos dos Serviços da Alfândega da China, consultados pelo “O País”, consta que a China exportou para Moçambique, mercadorias diversas no valor de 209 milhões de dólares (-31,12%). Já Maputo vendeu a Pequim produtos no montante de 108 milhões de dólares nos primeiros dois meses de 2020, menos 21,59% que no período homólogo.

No global, o valor do comércio entre a China e os países de língua portuguesa registou uma quebra de 9,37% em termos homólogos em Janeiro e Fevereiro para 21.374 milhões de dólares, segundo dados oficiais chineses divulgados pelo Fórum de Macau.

A China exportou nos dois primeiros meses do ano para os oito países de língua portuguesa bens no valor de 5651 milhões de dólares, com uma quebra de 7,04%, tendo importado daqueles mesmos países mercadorias no valor de 15 723 milhões de dólares (menos 10,18%), registando dessa forma um défice comercial de 10 072 milhões de dólares.

O Brasil foi responsável por 78,3% das trocas comerciais registadas entre a China e os países de língua portuguesa com um montante de 16 754 milhões de dólares (-3,46%), sendo que a China exportou bens no valor de 4664 milhões de dólares (-3,55%) e importou produtos cujo valor atingiu 12 089 milhões de dólares (-3,42%).

Angola surge, como é habitual, em segundo lugar em termos de valor, com um comércio bilateral com a China no montante de 3404 milhões de dólares (-28,37%), com as empresas chinesas a terem vendido às angolanas bens no valor de 219 milhões de dólares (-17,75%) e a terem comprado produtos no valor de 3185 milhões de dólares (-29,00%).

O comércio da China com Portugal atingiu no período em análise o valor de 872 milhões de dólares (-12,77%), com a China a ter exportado bens no montante de 532 milhões de dólares (-17,02%) e a ter importado mercadorias no valor de 340 milhões de dólares (-5,18%).

O comércio entre a China e os restantes países de língua portuguesa – Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste – atingiu 25,88 milhões de dólares no período de Janeiro/Fevereiro.

FMI corta previsão de crescimento da África Subsaariana para mínimo histórico de -1.6%

Última actualização: 2020-04-21

O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que a COVID-19 poderá deitar por terra os avanços recentes sobre o desenvolvimento da África Subsaariana. Para fazer face à situação, a instituição financeira internacional considera essencial o apoio de todos os parceiros de desenvolvimento para atender às consideráveis necessidades de financiamento dos países mais afetados, incluindo o alívio da dívida.

No seu mais recente relatório sobre as Perspetivas Económicas Regionais para a África Subsariana, o Fundo Monetário Internacional alertou que 2020 será um ano sombrio no que toca ao crescimento e desenvolvimento económico. De acordo com o FMI, é imperioso que sejam usadas políticas orçamentais, monetárias e financeiras para proteger os grupos vulneráveis, mitigar os prejuízos económicos e apoiar a recuperação.

“A África Subsariana depara-se com uma crise sanitária e económica sem precedentes. Uma (crise) que ameaça desviar a região do seu percurso, invertendo os progressos em termos de desenvolvimento alcançados em anos recentes. Além disso, ao causar uma grande perda de vidas humanas, afetar drasticamente os meios de subsistência e prejudicar os balanços das empresas e dos governos, a crise pode travar as perspetivas de crescimento da região para os próximos anos. Nenhum país será poupado”, avisa a instituição financeira internacional.

Por outro lado, o relatório refere que se a crise causada pela COVID-19 não for refreada, atendendo a sua velocidade, poderá sobrecarregar os sistemas de saúde frágeis.

“O número de casos confirmados da COVID-19 na África Subsariana está a subir rapidamente. À data de 9 de Abril, tinham sido confirmados mais de 6.200 casos em 43 países na região, com a África do Sul, os Camarões e o Burquina Faso a serem os mais afectados”, sublinha o FMI.

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